Manhã de Chi Kung – 14 de Novembro

Práticas de Cuidado e Utopia – 2ª edição

Os Animais em Chi Kung como Metodologias de Transformação

Sábado 14 de Novembro das 10.00 às 12.00 via Zoom

Sympoiesis é uma palavra simples de origem grega que quer dizer ‘fazer com’. É uma palavra adequada para descrever qualquer tipo de sistemas complexos, dinâmicos, sensíveis, localizados e…com uma história.

No desenvolvimento da minha prática, que é muitas vezes solitária, tenho me confrontado com o desafio de descobrir e criar formas de relação que nutrem e alimentam a curiosidade que sustentam o treino e o trabalho de corpo.

Nas artes marciais há uma sensibilidade e sensualidade comparável que faz parte do treino mas que, muitas vezes fica restrita a interacções que só podem ser concebidas como competitivas ou cooperativas. Parece-me que a riqueza e o potencial da intimidade do encontro com o corpo abre possibilidades “rendilhadas” que se revelam no fazer e desfazer de nós, e na evolução e involução de padrões absolutamente extraordinários. Assim nunca estamos sozinhos, e esta noção de sympoiesis pode traduzir-se numa expansão de percepção, poros abertos, cabelos e pelos eriçados, uma escuta apurada e sensibilidade atenta que expande a prática e a mantém viva, curiosa e entrançada com tudo que nos rodeia.

Nesta manhã com duas horas de prática profunda, vamos voltar a mergulhar no universo do sistema dos Cinco Animais ao encontro da experiência desta sensual curiosidade celular como motor vital da existência.

Programa:

– a manifestação dos Cinco Elementos nos Cinco Animais – o ciclo de moderação Terra – Água – Fogo

– o diafragma e o pericárdio no enraizamento do coração 

– libertação do pescoço e dos braços através do sistema neuro-vascular

10€ por pessoa

Inscrições para:

theplacetopause@gmail.com

Chi Kung de Manhã – 17 Outubro – via Zoom

Práticas de Cuidado e Utopia

Os Animais em Chi Kung como Metodologias de Transformação

Sábado 17 Outubro das 10.00 às 12.00 via Zoom

O Corpo não é algo em que só reflectimos de vez em quando. Fazemos o corpo, adquirimos o nosso próprio corpo – e esse é um processo de mutação e transformação, um projecto aberto, cheio de possibilidades. 

Vivemos um tempo em que a vulnerabilidade do corpo está a ser dramaticamente exposta e revelada. No entanto, a atitude radical pode ser o aceitar dessa vulnerabilidade, ser objetor de consciência e recusar a atitude marcial. Através de uma prática criativa desenvolver a habilidade de sentir a totalidade das coisas como parte de cada um de nós – ser responsável de uma forma vital e apaixonada.

Em Chi Kung, como em muitas práticas tradicionais de corpo, a Natureza e os animais são inspiração para muitos dos movimentos e formas exploradas. Proponho a investigação e exploração destas formas, como possibilidades para uma metodologia de transformação – uma sensibilidade corporizada, viva e compassiva.

Programa:

 – introdução ao Sistema Wudang dos Cinco Animais 

– tecnologias de reconfiguração, percepção e sobrevivência

– o Elemento Metal – suspiro e melancolia

20€ por pessoa

Inscrições: theplacetopause@gmail.com

A Grande Aceleração e a Grande Travagem

No Taoismo cultiva-se a consciência da união do Homem com o Céu, numa perspectiva filosófica e existêncial, não religiosa. A intenção é reconhecer e escolher uma existência imparcial no Cosmos, obedecendo à ordem da Natureza, repudiando a acção deliberada e egoísta. O simples e o primordial são um desígnio fundamental. Os sistemas de passos têm origem nesta corrente académica e filosófica do Taoismo. Pretende-se integrar o cuidar do corpo com o cultivo da mente e do espírito. Assim, desenvolveram-se exercícios simples com efeitos terapêuticos poderosos, em harmonia com as doutrinas filosóficas. Sendo o intuito essencial o apurar da mente e do espírito, é interessante como a forma se expressa na integração harmoniosa das dimensões físicas, energéticas e espirituais da nossa existência.

Usamos inúmeras expressões para designar a sociedade em que hoje vivemos – sociedade do espectáculo, sociedade da informação, sociedade de risco – e a disignação sociedade da velocidade surge como uma expressão muito pertinente e reveladora. Paul Virilio, um pensador, urbanista e arquitecto francês, criou uma ciência extraordinária – a dromologia, inspirada no grego dromos que designa um recinto destinado à corrida – desenvolvendo teorias e propondo metodologias ousadas para reflectir sobre a velocidade e a aceleração tecnológica que caracteriza a nossa civilização. Começou a retirar conclusões quanto aos seus efeitos ecológicos, muito antes de estes se terem tornado evidentes e assunto de debate generalizado. 

As suas reflexões apontam para algo de particular e subtil, dando relevo, não à poluição e contaminação do mundo, mas à poluição dos nossos sistemas de percepção.  É um efeito de condicionamento que transforma a experiência perceptiva, em que o espaço é anulado e o tempo é abolido. A tirania da velocidade tem consequências em que “a aceleração do tempo nos impede de ver a diferença entre o verdadeira e o falso”; e “a aceleração do mundo põe em causa a percepção do mundo sensível e a empatia entre os seres humanos.”

A experiência extraordinária e brutal dos efeitos da pandemia Covid-19, pela desaceleração súbita da vida até à quase paragem, criou um efeito de contra-vertigem que nos afecta ao nível psicológico, emocional e físico. É desconcertante e paradoxal a experiência da aceleração de contágio, a par do desacelerar do contacto –  vivemos uma imobilidade impotente enquanto decorre a corrida contra o tempo para encontrar a “salvação”. É um tempo que exige mais do que nunca, atenção, interrogação, crítica e criação de novos possíveis.  

Como os mestres taoistas, que constataram a necessidade de uma prática que integrasse o corpo como lugar de experiência da mente e do espírito, precisamos de descobrir e inventar novas possibilidades de equilíbrio para sobreviver. Precisamos de redefinir como ocupamos o espaço e como preenchemos o tempo. Com o Corpo.

A Arte e a Cultura introduzem distância e duração. Façamos das nossas vidas obras de arte.” Paul Virilio

Manhã de prática e almoço-12 de Setembro-concluído

E assim foi, mais uma manhã de prática com almoço – calor mas já com ritmo de Outono – caminhada a escutar o tempo – habitar o pinhal e enraizar – trabalhar o centro no baloiço, com bola e troncos de árvores.

Menu delicioso da Maria João – Creme de courgette com manjericão, risoto com abóbora hokkaido e tempeh, sobremesa doce de pêssego e ameixa com creme de baunilha – maravilhoso!

Foi um prazer partilhar a prática – obrigada!

Hours fly, Flowers die, New days, New ways, Pass by, Love stays 

Manhã de Chi Kung com Almoço

12 de Setembro
10 .00 às 13.00 prática com caminhada
13.00 às 14.30 – Almoço especial de Outono

 
 

Programa

O Fogo que nutre a Terra – num momento em que as características mais óbvias do elemento fogo, a sociabilidade e a expansão, estão confrontadas com grandes limitações e constrangimentos, vamos investir na subtileza do fogo, para regenerar a terra, em profundidade, com flexibilidade e receptividade.

Posturas Zhan Zhuang – enraizamento e equilíbrio

Shu Li – a energia Terra 

O Sagrado no corpo – Passo Taoista – Terra e Céu

Todas as atividades, incluindo o almoço serão no exterior

40€ por pessoa

Inscrições muito limitadas!

theplacetopause@gmail.com

Chi Kung e Movimento Integral – 2020 / 2021

Temporada 2020/21

Programa Chi Kung em Casa – 3 aulas semanais

Nutrir Terra, Apurar Metal

Persistir e perseverar no aprofundar da consciência das Cinco Transformações na prática de um movimento integral e inteligente. Neste final de verão incomum, notar o desejo de abrandar e centrar, convergir e focar – a Terra a gerar Metal.

Início do 1º trimestre – 1 de Setembro ( 3ª feira )

2ª feira 09.00 – 10-15 – Treino do Xin Yi Nei Gong 

3ª feira 19.00 – 20.15 – Treino de Quietude

5ª feira 19.00 – 20.15 – Treino das Oito Peças de Brocado

Evento especial em The Place to Pause

Dia de Prática com almoço – 12 de Setembro

10.00 às 13.00 – Programa a anunciar

13.00 às 14.30 – Almoço especial de Outono

Inscrições abertas – theplacetopause@gmail.com

O Tempo que passa

Há um exercício, que fazemos em aulas de improvisação em dança, cuja proposta é dançar livremente com movimentos rápidos, e parar quando acharmos que passou um minuto. Depois repetir o exercício, desta vez dançando com movimentos lentos, parando ao fim do que consideramos ser um minuto. Claro que estes minutos revelam ter durações muito diferentes. O tempo é relativo, como Einstein descobriu e nos demonstrou. É mesmo muito relativo. E a experiência do tempo no corpo é uma experiência física, emocional, intelectual e espiritual.

No mundo em que vivemos, a nossa experiência do tempo tem sido predominantemente acelerada, condensada e fragmentada. Contudo, esta aceleração e velocidade tem estado a ser questionada de uma forma iminentemente existencial e de sobrevivência, nossa e de tudo que nos rodeia. O verbo abrandar começa a ser aplicado nas várias dimensões da nossa realidade, de uma forma vital ligando a economia à ecologia. De referir, que estas duas palavras têm origem no grego oikos, que significa casa.

O corpo como casa ou residência das nossas dimensões mais subtis e espirituais é expressão comum na maioria das grandes tradições filosóficas e religiosas. Todas as práticas ancestrais desenvolvem treinos espirituais e físicos que incorporam a experiência essencial do tempo. As grandes transformações ou revoluções civilizacionais revelam-se também em mudanças nos nossos corpos. No sentido de potenciar uma transformação estrutural autentica, expressiva e vigorosa, uma prática de corpo consciente e profunda é um instrumento valioso e crucial. No entanto, as transformações para serem efetivas têm que ser sustentadas e alicerçadas. Precisamos de enraizar para transformar.

Zhan Zhuang Chi Kung ou Estar de Pé como uma Árvore é uma prática ancestral da China desenvolvida, eventualmente, por monges como uma forma de ancorar nos corpos o apuramento da mente e do espírito. Mais tarde, os guerreiros também passaram a treinar estar de pé em quietude, descobrindo que desta forma podiam cultivar força e velocidade poderosas. A qualidade de uma mente clara e focada sempre foi essencial tanto para monges como para guerreiros, e a prática de Estar de Pé como uma Árvore era uma ferramenta poderosa que propiciava esta excelência. Como uma árvore a crescer, o desenvolvimento de uma percepção de tempo, que alinha em serenidade e equilíbrio, faz parte da prática.

Nos clássicos de arte marciais afirma-se – a raiz está nos pés, estendendo-se pelas pernas, controlada pela cintura e com expressão nas mãos. É esta raiz que é imprescindível cuidar e fortalecer para que Estar de Pé como uma Árvore possa ser revelada como prática extraordinária que é.

A vida contemporânea e sedentária tem demasiadas atividades sentadas, que enfraquecem o corpo, nomeadamente as pernas. A maior parte dos desportos que se praticam enfatizam a utilização de camadas externas de músculos. Um dos benefícios da prática de Zhan Zhuang Chi Kung ou Estar de Pé como uma Árvore, consiste no trabalho ao nível da perna inferior, impulsionando o sangue venoso da Grande Circulação em direcção ao coração.

É por isso que se chama à perna inferior o ” segundo coração”, e neste treino dedica-se muito esforço e dedicação ao seu fortalecimento. O conceito é simples: o coração bombeia o sangue do centro para a periferia do corpo, cabeça, braços e pernas. Depois do sangue ter nutrido a cabeça e os braços, o regresso ao coração é auxiliado em grande parte pela gravidade. Mas o sangue que regressa dos pés e das pernas tem um trajeto mais desafiante, e o bater do coração não é suficiente para o trazer de volta através da veias, que não são tecidos musculares. É nesta circulação venal que os músculos inferiores das pernas têm uma função crucial. Quando nos movemos, os músculos espremem as veias impulsionando o sangue no seu percurso ascendente em direcção ao coração – este movimento de fluídos em direcção ascendente, contrariando a gravidade, corresponde ao poderoso movimento da água e nutrientes que são sugados pelas raízes, dentro da terra, para chegar ao tronco, ramos e folhas de toda a árvore.

Este trabalho de raíz começa com os pés. É nos pés que se determina e estabelece a qualidade de ligação à terra e a capacidade de energia impulsionadora do movimento. Na planta dos pés localiza-se um ponto de acupuntura fulcral, o início do meridiano do Rim chamado “Fonte Borbulhante”. O arco do pé eleva-se da terra a partir deste ponto, e é muito importante explorar esta área , e compreender a sua função vital no Estar de Pé como uma Árvore.

É na consciência e percepção da relação que se estabelece com a terra e a gravidade, ativando a “Fonte Borbulhante”que o treino de pé, em quietude, se torna profundamente transformativo, podendo-se  incluir na prática dimensões mais subtis, emocionais e espirituais. As grandes tradições cultivam formas de estar e de nos relacionarmos, connosco e com o que nos rodeia, abrindo o coração e expandindo o espírito, para evoluirmos e mudarmos. Saber esperar , ou cultivar a paciência, pode aparentar ser uma atitude desatualizada ou obsoleta – é uma característica emocional de experiência temporal – e é uma das sete virtudes essenciais. É uma emoção positiva que apazigua a raiva e a irritação perante as contrariedades ou afrontas, dando alento e ânimo para as ultrapassarmos. A paciência pode cultivar-se Estando de Pé como uma Árvore. Em filosofia utiliza-se o termo performatividade ( em inglês – performativity ): a forma como falamos afecta comportamentos, que por sua vez  dão origem a teorias e  modos de pensar. Cumprem-se assim as profecias, numa auto-realização através do corpo, do pensamento e do espírito.

Uma proposta de treino para o tempo que passa:

Chi Kung para o Coração

Na perspectiva da Teoria das Cinco Transformações ou Cinco Elementos, os tempos que vivemos definem-se por uma predominância da qualidade de energia Metal. Na natureza, o metal aparece nas profundidades da Terra e o seu movimento é de caracter contrativo, com um poder de apuramento, refinamento, concentração e foco. O cultivar da energia Metal significa apurar a clareza mental, o discernimento e a comunicação precisa, a expressão da verdade sem medo. 

Com o início da Revolução Industrial esta qualidade expressou-se no extraordinário desenvolvimento científico e tecnológico, que impulsionou a humanidade por vias de exploração e expansão concretizadas nas máquinas criadas para cortar e perfurar a terra, nos caminhos de ferro e pontes admiráveis que criaram ligações inéditas, numa capacidade espantosa de criar elos de comunicação assombrosos.

Nas Cinco Transformações, as energias não são herméticas, como em tudo na natureza, há ciclos de  interdependência que geram relações de regulação, num movimento dinâmico de transformação e regeneração.

É uma observação, já banal, a de que vivemos um tempo de desequilíbrio, desarmonia e excesso. O excesso de Metal é inequívoco e evidente – mesmo que não se conheça a Teoria dos Cinco Elementos. Os desequilíbrios do nosso ecossistema macro atestam os distúrbios na respiração da Terra, com o excesso de poluição, e a dificuldade em eliminarmos os nossos excedentes com a acumulação de lixo.

O órgão associado a Metal é o Pulmão e a víscera o Intestino Grosso. São os órgãos que governam a relação do nosso interior com o exterior, através da respiração e a eliminação de excessos. 

Fogo é o elemento que regula ou modera Metal, sendo o órgão associado o Coração, e a víscera o Intestino Delgado. Tem se revelado para mim fundamental a demanda de uma qualidade mais subtil e sensível da energia Fogo, no empenho de moderar os efeitos de um Metal em desequilíbrio. 

O treino consiste em apurar a sensibilidade do Coração,”a Fonte Suprema”, investir na compaixão e na empatia, brotar em generosidade e ternura.

Aninhado, enrolado, no centro do ventre está o Intestino Delgado onde se aloja também o centro energético inferior, o Dan Tian. Na dimensão física, ele tem como função diferenciar e escolher o que é nutriente, eliminando o que é resíduo na alimentação que entra no corpo. Separa o que é útil, do que não é. 

Na dimensão emocional expressa-se como a “Janela Celestial”, que quando aberta deixa a luz entrar e elimina o que é tóxico, abrindo espaço para a felicidade.

Esta é uma proposta de treino dedicado ao Elemento Fogo – uma prática para o Coração .