Quero agradecer a todes que me acompanharam neste ano de partilha da prática de viver com Chi Kung – e desejar-vos um maravilhoso verão!
Em Setembro haverá mais uma semana especial de prática – um programa para entrar no Outono – de 4 a 8 de Setembro das 7.30 às 8.30 – no final de Agosto serão divulgados mais detalhes.
Save the date – Retiro de Outono de 2023 será em Outubro – dias 13,14 e 15
Proliferam os convites e os programas para nos desligarmos – das redes sociais, dos emails – para fazermos uma desintoxicação digital. Insiste-se nesta ideia de que estamos excessivamente ligados – quando talvez a realidade seja que andamos absolutamente desligados e alheados do mundo. É verdade que ao evocar este direito a desligar procura-se a experiência profunda de pertença ao mundo – mas o indício paradoxal do nosso estado desligado é usarmos esta mesma palavra para exprimir tanto o problema que nos afecta como a estratégia que nos vai reabilitar.
Nesta pausa a proposta é pensar e reflectir sobre esse desligamento, através da prática e a experiência no corpo identificar aquilo de que nos desligamos e os modos como nos desligamos – procurando através desse processo de reflexão um questionamento que nos indique outras escolhas e possibilidades de reconexão – de estar ligado ao mundo na sensibilidade e na vibração.
Programa
Retiro de dois dias com entrada na 6ª feira dia 23 depois das 15.00 – e saída no domingo dia 25 pelas 18.30.
Posturas Zhan Zhuang, movimento com intenção, a qualidade da energia e a expansão para o espaço.
A ementa detox é fundamentalmente constituída por sopas nutritivas e regeneradoras, segundo os preceitos da cozinha macrobiótica e a teoria das Cinco Transformações.
A cozinha estará a cargo da maravilhosa Ida Candeias.
Introdução à Transformação Metal na Medicina Tradicional Chinesa e na disciplina do Chi Kung
As sessões de prática serão preferencialmente no exterior.
No sábado será instalado um período de quietude desde o despertar até ao almoço de domingo.
200€ por pessoa
( este valor inclui a estadia, alimentação e todas as sessões de prática)
As árvores acalmam e ajudam-nos a recuperar, a sarar, a harmonizar. Quando vemos imagens de hospitais do fim do séc. XIX e início do séc.XX vemos que são densamente arborizados. É verdade que é difícil de medir os efeitos da exposição às árvores, dependerá sem dúvida da receptividade de cada um, sendo que as árvores também não são todas iguais – mas parece indiscutível que elas nos fazem bem.
No Japão existe a prática do banho de floresta – shinrin-yoku . Há estudos envolvendo grupos diversificados de populações japonesas na prática do banho de floresta, nos quais se fizeram registos regulares dos indicadores de stress com parâmetros simples como a tensão arterial, o batimento cardíaco, e os níveis de cortisol. Os efeitos calmantes destes banhos e o efeito das árvores na atenuação do stress apresentam-se como evidentes.
É já reconhecido que as árvores podem estimular o nosso sistema imunitário. Para além do shinrin-yoku, já referido, empregam-se também as aromaterapias para reforçar as defesas imunitárias. As árvores produzem substâncias voláteis denominadas phytoncides, que são essenciais aos bosques na protecção das infecções microbianas. Estas mesmas substâncias são susceptíveis de ativar os nossos linfócitos – um passeio de um dia ou dois na floresta tem efeitos durante um mês na atividade dos linfócitos. Basta inspirar para captar as substâncias que voltejam em redor, verdadeiros elfos bem feitores. É a bio-inspiração, literalmente.
Esta partilha generosa vai para além dos efeitos no sistema imunitário – há substâncias com efeito antioxidante, anti-inflamatório e até que influenciam a regeneração dos ossos. Talvez com estes estudos, e outros que se seguirão, possamos encontrar alguma explicação para a nossa ligação íntima com as árvores.
Talvez se goste da sua companhia, porque o corpo sabe o bem que nos fazem.
Referências – Penser comme une arbre de Jacques Tassin
Próximo evento – manhã de Chi Kung e almoço – dia 5 de Junho
Em grego a palavra psyche significa ‘alma’, e tem a mesma raiz de psychein que significa ‘respirar’; a palavra grega pneuma, que significa ‘espírito’, também é a palavra usada para ‘vento’. Neste dia de maravilhoso alinhamento do Cosmos vamos apreciar e admirar o impulso da inspiração – um treino de devoção – em que o coração é o órgão amoroso de repetição.
Programa
O Coração e o Diafragma na respiração
Pousar a mente – espaço interno – espaço externo – uma pulsação
Do coração às mãos
A vibração dos Cinco Elementos – exploração de posturas Zhan Zhuang
Inscrição
theplacetopause@gmail.com
É necessária a inscrição para obter dados de acesso à sessão Zoom
Práticas de Cuidado e Utopia – 3ª edição Os Animais em Chi Kung como Metodologias de Transformação Sábado 12 de Dezembro das 10.00 às 12.00 via Zoom
Na terceira edição deste programa vamos continuar o mergulho na investigação e exploração destas formas como possibilidades de metodologias de transformação – para a criação de uma sensibilidade corporizada, viva e compassiva.
Em filosofia utiliza-se o termo performatividade ( em inglês – performativity ): a forma como falamos afecta comportamentos, que por sua vez dão origem a teorias e modos de pensar. Proponho desenvolver esta performatividade na forma como nos movemos e habitamos o corpo. Podemos assim cumprir profecias de uma auto-realização através do corpo, do pensamento e do espírito.
Compreendemos melhor o mundo quando trememos com ele, porque o mundo treme em todas as direcções. Edouard Glissant
Programa:
ciclos de geração e moderação nos Cinco elementos
a inspiração, a expiração, o movimento do ar no corpo
. a repetição e a atenção como processo de transcendência
Os Animais em Chi Kung como Metodologias de Transformação
Sábado 14 de Novembro das 10.00 às 12.00 via Zoom
Sympoiesis é uma palavra simples de origem grega que quer dizer ‘fazer com’. É uma palavra adequada para descrever qualquer tipo de sistemas complexos, dinâmicos, sensíveis, localizados e…com uma história.
No desenvolvimento da minha prática, que é muitas vezes solitária, tenho me confrontado com o desafio de descobrir e criar formas de relação que nutrem e alimentam a curiosidade que sustentam o treino e o trabalho de corpo.
Nas artes marciais há uma sensibilidade e sensualidade comparável que faz parte do treino mas que, muitas vezes fica restrita a interacções que só podem ser concebidas como competitivas ou cooperativas. Parece-me que a riqueza e o potencial da intimidade do encontro com o corpo abre possibilidades “rendilhadas” que se revelam no fazer e desfazer de nós, e na evolução e involução de padrões absolutamente extraordinários. Assim nunca estamos sozinhos, e esta noção de sympoiesis pode traduzir-se numa expansão de percepção, poros abertos, cabelos e pelos eriçados, uma escuta apurada e sensibilidade atenta que expande a prática e a mantém viva, curiosa e entrançada com tudo que nos rodeia.
Nesta manhã com duas horas de prática profunda, vamos voltar a mergulhar no universo do sistema dos Cinco Animais ao encontro da experiência desta sensual curiosidade celular como motor vital da existência.
Programa:
– a manifestação dos Cinco Elementos nos Cinco Animais – o ciclo de moderação Terra – Água – Fogo
– o diafragma e o pericárdio no enraizamento do coração
– libertação do pescoço e dos braços através do sistema neuro-vascular
Os Animais em Chi Kung como Metodologias de Transformação
Sábado 17 Outubro das 10.00 às 12.00 via Zoom
O Corpo não é algo em que só reflectimos de vez em quando. Fazemos o corpo, adquirimos o nosso próprio corpo – e esse é um processo de mutação e transformação, um projecto aberto, cheio de possibilidades.
Vivemos um tempo em que a vulnerabilidade do corpo está a ser dramaticamente exposta e revelada. No entanto, a atitude radical pode ser o aceitar dessa vulnerabilidade, ser objetor de consciência e recusar a atitude marcial. Através de uma prática criativa desenvolver a habilidade de sentir a totalidade das coisas como parte de cada um de nós – ser responsável de uma forma vital e apaixonada.
Em Chi Kung, como em muitas práticas tradicionais de corpo, a Natureza e os animais são inspiração para muitos dos movimentos e formas exploradas. Proponho a investigação e exploração destas formas, como possibilidades para uma metodologia de transformação – uma sensibilidade corporizada, viva e compassiva.
Programa:
– introdução ao Sistema Wudang dos Cinco Animais
– tecnologias de reconfiguração, percepção e sobrevivência
E assim foi, mais uma manhã de prática com almoço – calor mas já com ritmo de Outono – caminhada a escutar o tempo – habitar o pinhal e enraizar – trabalhar o centro no baloiço, com bola e troncos de árvores.
Menu delicioso da Maria João – Creme de courgette com manjericão, risoto com abóbora hokkaido e tempeh, sobremesa doce de pêssego e ameixa com creme de baunilha – maravilhoso!
Foi um prazer partilhar a prática – obrigada!
Hours fly, Flowers die, New days, New ways, Pass by, Love stays